sábado, 22 de julho de 2017

Mudança

É certo que comprei algumas coisas nesses meses por aqui, mas não achei que seria tão complicado fazer tudo caber nas malas. Bom, está sendo. Vou ter que deixar até mesmo o que não havia planejado. Há várias coisas que trouxe pensando em usar muito, para depois deixá-las aqui. Desapegar-me de coisas não costuma ser uma coisa complicada, mas confesso que doi deixar um pijama querido, que tenho há 10 anos. Sim, está bem velhinho, mas é tão confortável...

Acumulei uns papéis, mas já sei que não poderei ter nem dó nem piedade. Vão ter que virar lixo reciclável. Depois também onde iria guardar isso tudo? Ter poucas coisas nos deixa mais móveis. Até hoje sempre morei na casa que é de outra pessoa - dos pais, alugada, da mãe, do Claudio. Nunca tive um lugar que fosse realmente meu, onde pudesse guardar coisas "para sempre". Então, no final das contas, quanto menos coisas eu tiver, melhor para todo mundo. Ademais, a digitalização está aí para isso... Além disso, quando formos embora deste mundo, quem se interessará por todo nosso acúmulo de coisas?

(Pequenas e grandes) alegrias

O dia amanheceu ensolarado em Stuttugart hoje.

No tempo preciso, completei meu cartão de fidelidade na padaria vizinha e pude tomar um último café com leite de graça. Sim, eu adoro cartões de fidelidade, que, por mim, poderiam se chamar cartões de felicidade. Foi isso que senti quando a mocinha me entregou o copo.

Café deve ter sido, disparado, o produto em que mais "investi" meu dinheiro aqui na Alemanha. Dos 162 dias por aqui, não é exagero dizer que em pelo menos uns 120 comprei café fora de casa, o que em cálculos bem superficiais significa pelos menos uns 250 euros. Foi meu pequeno luxo.

Porque sou uma menina comportada (quando poderei deixar de ser?), o zelador do alojamento estudantil permitiu que eu retirasse a caução antes mesmo de deixar o prédio. Ontem quando veio vistoriar o apê, falou algumas frases em italiano - meu nome costuma inspirar as pessoas a fazerem isso, apesar de meu Rafaela não ser muito italiano. Ele me contou que, sendo romeno, quando vai a Itália de férias, costuma entender muita coisa. Herr Kiss adora uma prosa.

Ter ido essas duas vezes a Itália foi bem significativo. Gostei de me sentir bem neste país, que agora também é meu. Melhorar o italiano é uma meta.

Hoje irei me despedir da Biblioteca Municipal de Stuttgart. De tudo, será do que sentirei mais falta. Foi muito bom ter essa sorte de vir morar bem aqui. Considero como um verdadeiro privilégio ter tido acesso a essa biblioteca. Quem dera, todos nós tivéssemos essa oportunidade.